6 de maio de 2026
Maria Fernanda de Julio
O setor sucroalcooleiro desempenha um papel crucial na economia brasileira, impulsionando a produção de açúcar, etanol e bioenergia. Em um mercado cada vez mais competitivo, as usinas buscam constantemente otimizar seus processos para aumentar a eficiência e a rentabilidade. Nesse contexto, a manutenção emerge como um fator estratégico, capaz de influenciar diretamente a produção, os custos e a receita das usinas.
Uma Usina de Açúcar e Álcool possui muitos ativos com criticidade A, que por definição são aqueles equipamentos essenciais para o processo produtivo e que apresentam alto risco de segurança ou impacto financeiro em caso de falha, que são geralmente os equipamentos que pertencem aos setores abaixo:
Esses ativos são caros, podendo chegar a algumas dezenas de milhões de reais, o que acaba inviabilizando a adoção de estratégias de se ter equipamentos reservas para possível substituição em caso de falha.
Portanto, é essencial que a confiabilidade dos equipamentos sejam altas e que não haja quebras inesperadas durante as safras.
A safra da Usina é outro fator importante a ser levado em consideração nesse estudo. De maneira geral, uma Usina na região Centro-Sul do Brasil tem aproximadamente 8 meses, com início geralmente em abril e final em novembro. A safra é necessária por questões climáticas e naturais que estão relacionadas a planta da cana de açúcar, como também a questões logísticas.
A cana de açúcar tem sua máxima produtividade no mês de setembro / outubro, sendo o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) o indicador mais utilizado para quantificar a sua produtividade. Abaixo é apresentado o ATR durante toda a safra de 2024 de acordo com o relatório quinzenal da Única.
Como pode ser observado no gráfico acima, o ATR no início da safra é mais baixo e seus máximos valores estão entre os meses de setembro e outubro e volta a cair no final da safra.
O ATR médio do gráfico acima é de 138, o máximo é de 160 e no final da safra cai para 123.
O ATR é um indicador muito importante para as Usinas pois é ele quem traz as informações de quanto de açúcar ou etanol será convertido a partir de 1 tonelada de cana moída.
E qual é a relação disso tudo com a disponibilidade da indústria?
A indústria da Usina de Açúcar e Álcool deve processar a cana de açúcar que foi colhida em até 72 horas, pois acima disso a cana começa a apodrecer, perder os açúcares contidos nela e inviabilizando a moagem na indústria.
Se houver uma quebra de um equipamento crítico que pare a moenda, significa que por um determinado período a cana não será processada e que automaticamente a safra daquela usina está se estendendo, ou seja, aumentando o tamanho. Por exemplo, se uma Usina com capacidade de moagem de 20 mil toneladas por dia tem uma quebra e fica 12 horas parada, significa que ela deixou de moer nesse período 10 mil toneladas e que automaticamente existirão 10 mil toneladas a serem moídas no final da safra.
Como vimos no gráfico de ATR, moer a cana no final da safra é extremamente prejudicial do ponto de vista de rentabilidade para a companhia representando 10% de perda de rentabilidade (quando comparamos o ATR médio com o ATR do final da Safra) e 22% de perda de rentabilidade (comparando o ATR máximo com o ATR do final da Safra). Em outras palavras, significa que se essa parada de 12 horas ocorresse nos meses junho ou julho a perda seria de ~10% e se a parada ocorressem nos meses de setembro ou outubro a perda chegaria a mais de 20%.
E qual é o impacto financeiro disso tudo?
Em linhas gerais, 1 kg de ATR produz ~0,90 kg de açúcar e ~0,57 litros de etanol.
As Usinas também possuem um mix de produção de açúcar e etanol, ou seja, ela não consegue fabricar 100% de açúcar e portanto uma parte da sua moagem é destinada a produção de açúcar e outra a produção de etanol.
A venda do açúcar geralmente é estipulada por saca de 50kg que em mar/2025 apresenta um preço médio de R$140,00 / saca de 50kg e o litro do etanol de R$2,80 / litro.
No exemplo da parada de 12 horas que representou uma postergação de moagem de 10 mil toneladas, considerando um mix de produção de 55% de açúcar e 45% de etanol, a receita estimada da Usina considerando essa variação de ATR seria:
Portanto, o impacto financeiro dessa parada não planejada é de uma perda de receita de ~R$150.000,00 se considerarmos que ela ocorreu em meses de produtividade normal, e R$365.000,00 se considerarmos que ela ocorreu em meses de produtividade máxima.
Evitar uma parada de 12hrs durante toda a safra com monitoramento online de vibração e temperatura é um número muito baixo, por outro lado esse dinheiro que deixou de ser receita da Usina paga todo o investimento da nossa tecnologia.