Indústria 4.0

3 passos para implementar projetos da indústria 4.0, segundo especialista

Na nova edição do TEBE Talks, Cleber Candido, CEO da Cesla, deu dicas valiosas sobre como implementar projetos da Indústria 4.0. A Cesla é uma empresa focada em projetos de tecnologia com DNA de Safety, digitalizando processos de segurança e abolindo procedimentos burocráticos.

As mudanças tecnológicas têm avançado cada vez mais depressa, exigindo mais velocidade na implementação de projetos inovadores para garantir vantagens competitivas na Indústria. Porém, essa rápida evolução dos processos dificulta, muitas vezes, sua adoção.

“Toda mudança de cultura e de processo gera dor”, afirma Cleber.

Pensando nisso, por onde começar para que a mudança se concretize evitando a dor?

1. Revisite processos e procedimentos

Segundo Cleber, o ponto principal é revisar a forma como as coisas são feitas hoje na sua indústria. “Antigamente, você tinha uma operação com 30 pessoas em uma unidade de processo. Hoje, com 8 ou 9, você produz mais do que naquela época “, diz ele, afirmando que esse cenário seria impossível sem os avanços tecnológicos.

“O homem de 20 anos atrás não era diferente do de hoje no sentido operacional. A diferença é que os processos melhoraram“, conclui ele.

O especialista da Cesla reitera que as indústrias têm muito a ganhar em produtividade quando eliminam burocracias desnecessárias e automatizam processos. Em um mundo com mais de 7 bilhões de pessoas, “não é mais possível produzir absolutamente nada em larga escala se não usarmos tecnologia. É um caminho sem volta“, afirma ele.

Conheça e ouça a sua equipe

O CEO e Founder da Cesla chama a atenção para o fato de que as gerações atuais estão muito mais conectadas, habituadas à digitalização (nativos digitais): “o seu operador, o seu mecânico, o seu engenheiro de hoje é uma pessoa de 25, 30 anos. Ele é conectado com rede social, com celular, com tablet…ele não é mais a pessoa da prancheta e do papel.”

Além disso, Cleber comenta sobre a importância de entender e ouvir os profissionais técnicos: “ninguém conhece mais do risco de uma máquina que o seu mecânico. Escute, veja as ideias que ele tem,” destaca Cleber, “ele sabe a solução para a sua dor. Essa é a nova visão de segurança”. Uma visão descentralizada, autônoma e inteligente, mas ainda segura e com compliance.

Verifique sua infraestrutura

Sinal de Wi-Fi não quer dizer que você tem internet“, afirma Cleber. “E se você quer ir para uma Indústria 4.0, não se esqueça que a essência dela é conectar”.

No centro dessa conectividade estão os dados. IoT, Machine learning, Inteligência Artificial, API, nuvem…todas as tecnologias da Indústria 4.0 se baseiam em dados e como conectá-los entre si e com seus usuários. De acordo com Cleber, “não existe nada mais valioso do que o dado – desde que ele seja polido, seja de qualidade.”

Para que isso aconteça, é importante verificar as dificuldades da planta e buscar por soluções que as superem. Sistemas que resistem a imprevistos como queda de energia e baixa conectividade apresentam diferenciais importantes a se considerar durante o projeto. Além disso, busque sempre por aparelhos que coletam e tratam os dados de forma robusta e confiável.

2. Envolva outras áreas

Há um provérbio africano que diz: “se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo“. E nada poderia sintetizar melhor a necessidade de incluir diversas áreas em projetos da Indústria 4.0.

Isso porque a tecnologia é multidisciplinar. Como foi dito, a premissa da Indústria 4.0 é conectar, e isso se aplica também na dinâmica de trabalho dentro da empresa. “Quando nós falamos de segurança de processos e de pessoas, nada mais é do que qualquer operação industrial conectada com gente que executa” é o que diz Cleber, especialista em HSE.

Abranger todas as áreas envolvidas desde o início do projeto e trazer para perto os tomadores de decisão é fundamental. Segundo Cleber, a iniciativa precisa da adesão da diretoria e dos setores chave (geralmente, Recursos Humanos, Segurança do Trabalho, TI, Engenharia, Manutenção e Produção) para que se concretize. “Se isso não estiver integrado e essas áreas não estiverem participando do projeto, você vai ter uma das duas coisas: ou alguém que vai criar barreiras, porque não esteve envolvido no começo; ou você vai ter um projeto que não vai te trazer a performance esperada, porque não houve compreensão das faces do problema”, diz ele.

Com isso em mente, Cleber recomenda entender quais áreas o projeto de Indústria 4.0 em questão envolve e trazer de imediato esse pessoal para participar do planejamento. De acordo com ele, agindo assim “você ganha força e engajamento das áreas que querem e têm a mesma dor que você”, aumentando muito a probabilidade de tirar a ideia do papel e de impactar positivamente a todos.

3. Apresente dados numéricos

Cleber é incisivo ao afirmar: “o seu stakeholder se baseia em dados. Se você não levar dados, ele não vai aprovar o seu projeto”.

Por isso, não chegue de mãos abanando. Cleber aconselha a saber quanto o problema da empresa está custando hoje, considerando dados como:

  • Quanto é gasto por mês com HH perdida?
  • Quanto pode-se gastar em casos de processos trabalhistas?

 

O segundo passo, segundo o especialista, é mapear as informações financeiras da nova proposta:

  • Quanto irá custar a implantação do projeto?
  • Em quantos meses isso irá se pagar?
  • Quantos gastos serão evitados graças a essa implementação?

 

Com esses dados, você consegue falar a língua da alta liderança e realmente expor os benefícios do projeto, de forma a implementá-lo com muito mais facilidade.