6 de maio de 2026
Maria Fernanda de Julio
A migração para o monitoramento online de ativos industriais já é uma realidade consolidada. A promessa de ter dados sobre a saúde das máquinas 24 horas por dia, 7 dias por semana, trouxe um otimismo sem precedentes para as equipes de manutenção. No entanto, essa evolução tecnológica gerou um efeito colateral inesperado e desafiador: um verdadeiro tsunami de dados e alarmes.
Como uma equipe pode, de forma eficiente, gerenciar milhares de notificações diárias sem se afogar em informação? A resposta não está em mais dados, mas em dados mais inteligentes. E é aqui que a Inteligência Artificial (IA) deixa de ser uma promessa futura para se tornar uma ferramenta mandatória.
Historicamente, o acompanhamento térmico desses mancais dependia de inspeções manuais pontuais com termômetros infravermelhos. No entanto, o ambiente dos castelos da moenda é severo: locais de difícil acesso, presença de caldo, umidade e calor excessivo.
Este modelo tradicional revela falhas críticas: a intermitência das medições cria “pontos cegos”. Uma falha de lubrificação ou uma sobrecarga operacional pode elevar a temperatura de um mancal em poucos minutos, ocorrendo justamente no intervalo entre uma ronda e outra. Além disso, a falta de um histórico contínuo impede a análise de tendência, essencial para identificar o início da degradação antes que o dano seja crítico e a segurança do inspetor seja colocada em risco.
O aumento de temperatura causa anomalias como falhas de lubrificação, contaminação do óleo ou sobrecargas operacionais. O grande diferencial do monitoramento online via IoT não é apenas medir, mas encurtar drasticamente o tempo de resposta.
Com a tecnologia da Tebe, passamos de um modelo reativo para uma gestão baseada em dados contínuos. Enquanto no método convencional o técnico precisa detectar o calor, reportar e aguardar uma decisão, o monitoramento IoT conecta o dado diretamente a quem decide.
A transformação digital entrega o controle para o Centro de Operação Integrado (COI). Através da plataforma IoTebe, os operadores visualizam em tempo real o comportamento térmico de cada mancal. Ao menor desvio de tendência, o sistema emite alertas automáticos que podem ser visualizados em telas de gestão a vista integradas ao COI.
Isso permite que o operador realize manobras operacionais imediatas — como o ajuste da carga de moagem ou a verificação do sistema de lubrificação centralizada — antes que o alarme de temperatura crítica seja atingido. Um exemplo prático ocorreu na Usina São João (USJ), onde o monitoramento online nos castelos detectou um aquecimento anormal logo no início da safra. A intervenção imediata, guiada pelos dados, evitou a quebra do componente e garantiu a continuidade da moagem sem impactos no cronograma.
Investir em monitoramento térmico inteligente é uma decisão estratégica de gestão de ativos. Ao eliminar a dependência de medições manuais e evitar a “queima” de mancais, a usina reduz custos de manutenção de emergência (OPEX), estende a vida útil dos bronzes e garante a segurança dos colaboradores.
No setor sucroenergético, onde cada hora de moagem é vital, a Tebe se posiciona como o parceiro tecnológico que transforma dados em disponibilidade, garantindo uma safra de alta performance e máxima segurança.