Sensores IoT, Tebe

O Futuro dos Sensores IoT na Indústria: Da Performance à Saúde dos Ativos

 

A presença crescente dos sensores IoT nos ambientes industriais, em especial em usinas de açúcar e álcool, aponta para uma transformação significativa nos processos de monitoramento e otimização. Analisar o papel desses dispositivos demanda uma breve retomada de suas origens e da evolução da instrumentação industrial.

Uma Breve História dos Sensores nas Indústrias

O uso de sensores na indústria remonta à Segunda Revolução Industrial, no final do século XIX, quando sistemas mecânicos passaram a incorporar instrumentos de medição para pressão, temperatura e outras variáveis. O avanço das tecnologias eletrônicas, nas décadas de 1950 e 1960, permitiu o surgimento de sensores cabeados – ligados inicialmente a painéis locais e, posteriormente, aos sistemas supervisórios (SCADA), já nos anos 1980. A partir desse ponto, sensores digitais ganharam espaço, proporcionando maiores níveis de precisão e confiabilidade, porém sempre dependentes de infraestruturas cabeadas.

Com a evolução da automação, surgiram também os otimizadores em tempo real, verdadeiros “pilotos automáticos” capazes de ajustar variáveis do processo e garantir máxima eficiência operacional.

A Revolução dos Sensores IoT

Atualmente, os sensores IoT ganham protagonismo em ambientes industriais. São dispositivos sem fio, de fácil instalação e baixo custo, permitindo o monitoramento amplo de equipamentos diversos. Esse conjunto de facilidades faz com que, frequentemente, surjam demandas para “tripar” equipamentos com sensores IoT — ou seja, configurar sistemas para interromper a operação diante de qualquer parâmetro anômalo. Já há, inclusive, artigos publicados sobre o tema (acesse aqui).

Entretanto, é fundamental compreender que o tempo de resposta dos sensores IoT, entre a detecção do evento e a ação corretiva, costuma ser superior ao alcançado pelos sensores cabeados tradicionais. Em aplicações de segurança — aquelas em que está envolvida a integridade de pessoas ou a preservação do equipamento — a utilização de sensores cabeados continua indispensável. Já em situações menos críticas, a adoção de sensores IoT pode ser considerada, sempre mediante análise dos riscos envolvidos.

Por Que os Equipamentos Quebram?

As principais causas de falhas em equipamentos industriais podem ser organizadas nos seguintes grupos:

  • Projeto: Projetos inadequados, que não consideram as condições reais de operação, podem comprometer a durabilidade dos equipamentos.
  • Montagem: Instalações inadequadas acabam gerando desalinhamentos ou forças inesperadas, resultando em danos prematuros.
  • Manutenção: A ausência de manutenções preventivas, como trocas de óleo ou lubrificações, reduz significativamente a vida útil dos componentes.
  • Operação: O funcionamento fora dos parâmetros recomendados, como operar a rotações superiores ao projetado, provoca desgastes acelerados.
  • Eventos Aleatórios: Situações imprevisíveis, como a entrada de corpos estranhos em máquinas, responsáveis por danos súbitos.

 

Entre esses fatores, os eventos aleatórios são aqueles com menor possibilidade de controle, enquanto os demais podem ser mitigados por meio de monitoramento, manutenção e treinamento.

Quando Utilizar Sensor Cabeado ou IoT?

A escolha entre sensores cabeados e IoT deve considerar tanto o impacto potencial de falhas quanto a frequência com que ocorrem. Se o risco envolve segurança ou danos severos, os sensores cabeados se tornam obrigatórios. Caso o objetivo seja prevenir desgastes ou falhas não críticas, os sensores IoT se apresentam como alternativa viável, sempre que respaldados por uma análise detalhada da situação.

O Futuro: Integrar Performance e Saúde dos Ativos

O principal desafio – e também a grande oportunidade – está na integração entre os sistemas de produção e o monitoramento da saúde dos ativos industriais. Atualmente, a maior parte dos sensores conectados aos sistemas supervisórios serve para decisões operacionais, priorizando indicadores de produção e deixando a saúde dos ativos em segundo plano. A analogia é clara: concentrar-se apenas na produção é correr sem monitorar os batimentos cardíacos.

A adoção dos sensores IoT oferece a capacidade de unir algoritmos de otimização em tempo real a informações sobre o estado dos equipamentos. Com isso, torna-se possível tomar decisões não apenas com base em performance, mas considerando o real estado de desgaste dos ativos.

Benefícios para as Indústrias

O monitoramento contínuo e inteligente dos ativos, aliado a ajustes operacionais baseados nessas informações, proporciona maior vida útil aos equipamentos e reduz a incidência de quebras prematuras de componentes como rolamentos e acoplamentos. Os ganhos diretos são a diminuição de paradas não planejadas, redução de desperdícios, maior segurança e previsibilidade operacional.

 

Conclusão: A evolução do monitoramento industrial aponta para um cenário onde a inteligência dos sensores IoT será fundamental não apenas para acompanhar variáveis operacionais, mas para preservar e otimizar a vida útil dos ativos industriais. Utilizar indicadores de saúde dos equipamentos ao lado dos de produção será essencial para indústrias mais eficientes, seguras e competitivas.